ENTREVISTA PARA O JORNAL "DISCURSO DIRETO" [25 de JULHO DE 2014]

 

O projeto äreaTalentShow começou há sensivelmente 2 anos e, a menos de um mês do início da 2ª edição do Duelo Final, estivemos à conversa com Tiago Martins e Pedro Barbosa, os mentores deste projeto. para conhecermos melhor a dinâmica do mesmo.


Discurso Direto – Pedro e Tiago, podem explicar-nos melhor o que é o äreaTalentShow?
Tiago – O äreaTalentShow é um projeto sem fins lucrativos que tem como objetivo principal dinamizar, promover e premiar jovens artistas em diversas áreas, desde a música, á dança, às artes circenses, às artes cénicas, entre outras…, ou seja, a tudo aquilo que, pela arte e com arte, demonstre talento.


Pedro – Para isso, organizamos, fundamentalmente, concursos, exibições, showcases, etc., para, no fundo, oferecermos aos artistas um palco onde possam mostrar o seu potencial, na esperança de ser o seu acesso ao meio artístico. E não oferecemos apenas um palco, mas também um público, um júri que os analisa e incentiva e uma oportunidade de se tornarem conhecidos.


DD – E já conseguiram lançar, de alguma forma, algum artista?
T – O lançamento de um artista não depende só de nós. Tem de ser um trabalho conjunto. Nós damos uma ajuda, somos uma rampa de lançamento, mas eles têm que dar continuidade ao trabalho desenvolvido, caso contrário torna-se difícil ou mesmo impossível isso acontecer. Mas sim, temos tido casos de sucesso e a nossa parceria com o Porto Canal é um grande apoio. Temos, também, procurado difundir a imagem dos nossos concorrentes nas redes sociais, pois todos sabemos das sua dimensão, que ultrapassa em muito as fronteiras do nosso quotidiano e dos nossos limites.


P – Em Arouca, especificamente, temos o caso dos Cosa Nostra Band, vencedores da 1ª edição que tiveram uma aceitação muito positiva, por parte do público. Mas, como disse o Tiago, depois do primeiro “empurrão” é preciso dar continuidade ao trabalho. Temos outros artistas, como a Mariana Azevedo, que conseguiu chegar a uma fase bastante avançada do concurso The Voice Portugal, o Ricardo Ferreira, um tocador exímio de concertina, vencedor da 2ª edição do äreaTalentShow, com exibições nos EUA, após o concurso.


DD - Voltando um pouco ao início deste projeto. Como tudo começou?
T – Há já algum tempo, o Pedro desafiou-me a criar, juntamente com ele, algo diferente nas noites de Arouca. Inicialmente, pensou-se em algo do género de um “Chuva de Estrelas”, no entanto, chegamos à conclusão que seria “mais do mesmo”. Entretanto, o propósito arrefeceu, mas, passados alguns meses, voltamos a falar, e chegamos à conclusão que a ideia era mais interessante com a abrangência de outras áreas artísticas.


P –Decidimos, então, criar uma parceria com uma entidade que nos pudesse, de alguma forma, potenciar o desenvolvimento deste projeto, especificamente a 1ª edição do concurso äreaTalentShow e começamos a organizar tudo.


DD - Estão a falar da entidade que, de certa forma tem um pouco do vosso nome.
T – Sim, o äreacaffé! Na verdade devemos um pouco daquilo que é o äreaTalentShow a essa entidade, porque foram eles os primeiros a acreditar no nosso projeto e, de certa forma, a arriscar o investimento que foi feito na 1ª edição. Estamos gratos, com certeza! Nunca os vamos esquecer! Estas coisas são partilhadas… Do mesmo modo, não esquecemos todos aqueles que acreditam no nosso trabalho, que é feito sem qualquer benefício económico e que ultrapassa a simples carolice, porque exige muito de nós.


P – O nome äreaTalentShow não foi incutido por eles, mas achamos que soava bem, e, além do mais, refletia um pouco da filosofia do projeto: criar espaços onde os artistas pudessem mostrar o seu talento.


DD – O facto de as pessoas associarem o nome de uma entidade privada a este projeto pode, de alguma forma, beneficiá-lo ou prejudicá-lo?

T – A marca äreaTalentShow está registada e é património de Tiago Martins e Pedro Barbosa e não tem nenhuma ligação com alguma entidade pública ou privada.


P – Atualmente grande parte das pessoas sabe que este projeto é nosso, até porque já fizemos este concurso noutros locais e com outros investidores privados e públicos que nos apoiaram. Mas ainda há algumas pessoas/entidades que, por exemplo, nos negam apoios, porque pensam que é um projeto de uma casa comercial e com fins comerciais. Isto acontece mais em Arouca, porque, fora de cá, esta questão nem se coloca.


DD – Estavam à espera do sucesso da 1ª edição?
T – Falando sinceramente, de modo algum. Estávamos, até preocupados com a duração (oito semanas),numa altura em que Arouca estava com as noites de sexta-feira completamente em défice de público e com um inverno bastante rigoroso. Aliás, inicialmente, o espetáculo era para ser feito no äreaCaffé, no entanto, foi-nos proposta a alteração para o antigo espaço do Five Club e, à primeira vista, a ideia não nos agradou, porque não esperávamos que conseguíssemos encher a casa durante oito semanas consecutivas.


P – Mas faltou-nos foi espaço… No decorrer das galas a casa enchia mais e cada vez mais. As pessoas começavam a chegar, por vezes, antes das 20 horas, para conseguirem arranjar os melhores lugares, embora o espetáculo só começasse às 22:30!


DD – Tanto na 1ª edição, como na 2ª, escolheram espaços de discotecas para fazerem estes concursos. A que se deve esta escolha?
T – Na verdade, estes espetáculos têm custos elevados, desde equipamentos de som e luz, à publicidade, à tecnologia, ao staff, entre outros e, portanto, torna-se obrigatório encontrar alguma fonte de retorno para tornar tudo isto possível e este tipo de espaço é mais rentável. Contudo, ainda tentamos fazer a 2ª edição num auditório ou anfiteatro.


P – Realmente, tentamos, mas após umas quatro ou cinco propostas em anfiteatros em diversos locais, chegamos à conclusão que não conseguíamos cobrir as despesas com o retorno que eles nos poderiam dar.


DD – Já que falam na 2ª edição do äreaTalentShow, porque saíram de Arouca e foram para Castelo de Paiva?
T – São várias as razões… Em primeiro lugar pelas condições que nos foram oferecidas pela direcção da Discoteca Autarquia, incansável em todos os aspectos, depois porque estávamos a ser coerentes com a filosofia que tínhamos estabelecido inicialmente com este projeto: dinamizar e promover artistas de zonas remotas diferenciadas. E como já tínhamos feito a primeira edição em Arouca, estava na altura de explorar talentos noutras regiões.


P – No entanto, podemos dizer que esse nosso conceito foi perdendo relevo, porque começamos a receber inscrições de todo o território nacional e, entretanto, deixou de fazer sentido. Hoje, podemo-nos estabelecer num local, sem necessidade de ir “atrás” dos talentos.
Mas o sairmos de Arouca deu-nos uma perspectiva diferente. Há na juventude um certo aventureirismo e uma certa mobilidade… Claro que acarreta custos e não poucos. Mas isso trouxe-nos a certeza de duas coisas: ganhamos em experiência e continuamos no coração dos arouquenses que, durante algumas semanas, desafiaram a serra e as curvas para poderem estar ao nosso lado.


DD – Qual o feedback da 2ª edição em Castelo de Paiva?
T – O público de Castelo de Paiva não é que seja envergonhado, mas é mais acomodado e não é curioso como o público de Arouca. Contudo a estrutura do espetáculo evoluiu em 200% em relação à 1ª edição e também tivemos ótimos talentos a concurso. Investimos bastante em tecnologia e audiovisuais, tudo isto com custos acrescidos, mas, no fundo, é um pouco da nossa imagem de marca: fazermos cada vez melhor.


P – E penso que conseguimos, porque só fazendo bem conseguimos crescer e, nesta 2ª edição, tivemos mais do dobro das inscrições e tivemos o reconhecimento da qualidade do nosso espetáculo por parte de pessoas credenciadas na área e até investidores interessados em comprar a estrutura, principalmente tecnológica, do concurso.


DD – E não houve interesse em vender?
T – Nem sequer chegamos a falar em valores. O äreaTalentShow é o nosso menino e, embora tudo aquilo que utilizamos a nível de software e hardware dedicado seja produzido por nós, não tem objetivos comerciais. Nem sequer somos uma empresa...


DD – Então como é que o äreaTalentShow sobrevive?
P – Sobretudo da nossa carolice (risos). Falando mais a sério, o äreaTalentShow só é exequível porque há entidades públicas e privadas que nos patrocinam ou apoiam. E é a elas que devemos, também, este projeto.


T – Além disso, e porque acreditam no nosso trabalho, normalmente aparece uma entidade potenciadora do projeto que assume todas as questões legais e que que o torna viável. Claro que gostaríamos muito de ter um fundo de maneio para reinvestimento no projeto, mas os custos elevados dos serviços/equipamentos deixam-nos com um extrato bancário de poucos dígitos… (Risos)


DD – O äreaTalentShow é o Pedro e o Tiago?
T – O äreaTalentShow é o Pedro, o Tiago, a família, os amigos, os artistas, o júri, o staff e o público. A estrutura do äreaTalentShow, a nível de organização, é bastante elementar para a dimensão que tem, no entanto, temos a sorte de termos amigos que nos ajudam quando é necessário. Felizmente são muitos e, embora mereçam o nosso público reconhecimento, só não os enumero porque alongava muito esta entrevista.


P – Eu e o Tiago temos os nossos trabalhos profissionais e dedicamo-nos em part-time a este projeto. Quem fica a perder são, obviamente, as nossas namoradas e os nossos familiares, porque deixamos de estar com eles, para nos dedicarmos a este projeto. Mas o resultado tem sido positivo e eles sempre têm manifestado a sua compreensão e a sua colaboração.


T – E não é fácil… O concurso äreaTalentShow, entre planeamento, angariação de apoios, inscrições, castings, seleção de concorrentes e concurso, absorve cinco a seis meses de trabalho.


DD – O äreaTalentShow vai regressar a Arouca, no próximo dia 8 de Agosto, com a 2ª edição do Duelo Final. O que nos espera?
P – É verdade, agora com a co-organização da C.M de Arouca e do Arouca Geopark. Embora já tivéssemos tido o apoio do Município de Arouca noutras edições, esta receptividade, por parte destas instituições, é mais um voto de confiança no nosso trabalho. O projeto äreaTalentShow vai sofrer algumas alterações e decidimos terminar este ciclo na terra que o viu crescer. O Duelo Final 2 é um espetáculo, em forma de concurso, que envolve alguns dos melhores concorrentes da 2ª edição do äreaTalentShow, mas em formato de duelos colaborativos e individuais. É um espetáculo que vai ter bastante dinâmica, com uma orquestra ligeira a acompanhar, ao vivo, os concorrentes. Também vamos ter muitos convidados. Acreditamos que vai ser fabuloso!


T – A grande novidade vai ser a contribuição do público na decisão dos vencedores dos duelos. Através de tablets e smartphones, vão poder votar nos seus concorrentes favoritos. Possivelmente, será uma tecnologia pioneira em espetáculos ao vivo. äreaTalentShow é sinónimo de tecnologia, inovação em audiovisuais, animação e talento. De certeza que vai ser um espetáculo diferente de tudo aquilo que já se viu em terras de Arouca.


DD – Falaram em alterações ao projeto. Qual o futuro do äreaTalentShow?
T – Bem, a longo prazo, há algumas ideias e algumas propostas que estão a ser equacionadas com alguma precaução. O facto de a estrutura ser algo complexa e não estarmos a conseguir que o projeto seja autossustentável, obriga-nos a mudar um bocadinho o paradigma do mesmo.


P – Ou seja, vamos para a televisão! (risos) É verdade, estabelecemos uma parceria com o programa “Grandes Manhãs” do Porto Canal e, a partir do dia 1 de Setembro, começamos a ser responsáveis pela rubrica “Companhia de Talentos”, desse programa. E porque gostamos muito de Arouca, do seu povo e das suas gentes será uma forma de tornarmos Arouca ainda mais conhecida e falada.


DD – Porque nós já vos conhecemos bem, não duvidamos do vosso esforço, da vossa competência e da vossa capacidade de desempenho que será excelente neste äreaTalentShow. Para aqueles que não vos conhecem, mas que, certamente, vão conhecer o vosso trabalho no próximo dia 8 de Agosto, as vossas palavras finais desta entrevista.
T – Primeiro. uma palavra agradecimento ao Jornal Discurso Direto, por dar a conhecer o äreaTalentShow e por divulgar o que de muito bom se faz e pode fazer em Arouca. Segundo, uma palavra de gratidão para todos aqueles que nos acarinham, incentivam e estão sempre prontos a ajudar-nos. A todos, OBRIGADO!


P – Dando sequência às palavras do Tiago, em terceiro lugar, espero que a Praça Brandão de Vasconcelos, onde se vai realizar o 2º duelo final do äreaTalentShow, no dia 8 de Agosto, seja pequena para acolher todos aqueles que queiram ver este grande espectáculo e participar, interactivamente, no mesmo.
Finalmente, deixo, para todos, as palavras que expressam o meu sentir: BOAS FÉRIAS PARA TODOS E UM BEM HAJA!